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Por Ridalvo Felipe e Leo Santos JORNAL O PÚBLICO: Gostaríamos de saber qual o seu sentimento estando há tão pouco tempo no cargo e já com o sucesso do Carnaval de Caicó? ROBERTO GERMANO: Feliz. Havia aquela dúvida de como fazer o carnaval de Caicó, que tinha um formato, com os blocos do Magão e do Treme-Treme, mas que também havia a tradição de se colocar bandas na Ilha (de Sant’Ana), uma megaestrutura que demandava muitos recursos... E diante das recomendações do Ministério Público e do Tribunal de Contas, tivemos que dar um novo formato ao carnaval. Graças a Deus estamos felizes por ter encontrado a forma de fazer o carnaval de Caicó alegre, bonito e acima de tudo seguro. As pessoas foram para as ruas, participaram ativamente e comemoraram no maior carnaval do estado do Rio Grande do Norte. JORNAL O PÚBLICO: O senhor contou com parcerias públicas ou privadas para realizar esse carnaval? ROBERTO GERMANO: Atendendo as recomendações ministeriais e do Tribunal de Contas fizemos o que estava dentro do orçamento do município já aprovado pela Câmera: ajuda ao bloco do Magão e do Treme-Treme, além da ajuda ao bloco Ala-Ursa do bairro Paraíba. Oficialmente só podíamos pagar com recursos públicos o que estava aprovado pela Câmera Municipal no orçamento. Fomos sim buscar parcerias com a iniciativa privada, com os blocos. A iniciativa privada, por exemplo, trouxe para Caicó um show de Aviões do Forró, o que foi fundamental para atrair turistas. Todo mundo se deu as mãos e com isso fizemos um grande carnaval no município de Caicó. JORNAL O PÚBLICO: Quantas pessoas estiveram envolvidas na organização e segurança do carnaval caicoense? ROBERTO GERMANO: Em torno de 400 pessoas por dia. 250 policiais nas ruas. Foram montadas torres em pontos estratégicos, onde ficava uma dupla de policiais visualizando toda a multidão. Na Ilha de Sant’Ana havia em torno de 150 policiais por dia, além da polícia ambiental e corpo de bombeiros. Esse ano contamos com uma equipe que fazia a limpeza já após a passagem do último bloco. Todas essas pessoas trabalharam para que o carnaval tivesse segurança, limpeza e organização. Os foliões também contribuíram. Foi uma junção de poder público, da população, da imprensa, das polícias (militar, de trânsito, ambiental, bombeiros, rodoviária federal), um conjunto de forças que se juntaram para fazer esse grande carnaval. JORNAL O PÚBLICO: Uma novidade esse ano bastante visível foram os banheiros instalados nas vias públicas. Foi uma inovação da sua gestão? ROBERTO GERMANO: Ainda não é o suficiente, mas vamos aprimorar o próximo ano. Conseguimos colocar esse ano quase 90 banheiros químicos, mas esperamos até dobrar ano que vem. Não houve nenhum gasto com esses equipamentos, já que contamos com alguns da própria prefeitura e outros foram conseguidos através de parcerias. Se Deus quiser, próximo ano, com mais tempo para organizar o carnaval, nossa intenção é formar uma comissão para pensar o evento já a partir de agora. Iremos fazer uma grande avaliação de como foi o carnaval e, logo depois discutir esse evento o ano inteiro, para que quando chegar março do próximo ano, já tenhamos tudo pronto, delineado. Iremos em busca de recursos no Ministério do Turismo, mostrar que o carnaval de Caicó hoje é um dos maiores do Nordeste e nós temos que contar também com os recursos federais para que possamos fazer uma grande festa sem demandar grandes quantias da prefeitura, como estamos fazendo esse ano. Para se ter uma ideia, o ano passado, só para montar a estrutura na Ilha de Sant’Ana e contratar bandas, a Prefeitura demandou em torno de R$ 1,5 milhão. Esse ano não gastamos mais de R$ 120 mil, mesmo com a ajuda aos blocos, estrutura de limpeza, demandamos em torno de 10% do que foi gasto no ano passado. E fazendo um carnaval muito maior. JORNAL O PÚBLICO: Um dos grandes problemas durante o carnaval é a questão da falta de água para atender a grande demanda. Como o senhor avalia essa questão nesse carnaval? ROBERTO GERMANO: Houve uma campanha de conscientização da CAERN em parceria com a Prefeitura. Esse inclusive foi um dos pontos discutidos com o Ministério Público quanto às recomendações para carnaval. Pode até parecer que há desperdício de água em alguns momentos, mas a CAERN oferece a mesma quantidade de água em todo o ano, inclusive no carnaval. Isso é na ordem de 800 litros por segundo, o que já é o limite máximo. Alguns pontos da cidade já vinham com racionamento, como é o caso da zona norte, abastecida pela barragem Passagem das Traíras e que tem água dois dias sim e dois não. Esse racionamento já vem de dois meses atrás, não foi por conta do carnaval. JORNAL O PÚBLICO: Com relação a segurança, houve alguma ocorrência mais grave ou podemos dizer que foi o “carnaval da paz”? ROBERTO GERMANO: Com certeza foi um carnaval tranquilo, mesmo com aquela multidão nas ruas, tanto no Magão quanto no Treme-Treme, as pessoas se divertiram e não víamos confusões, empurrões, discussões. O carnaval de Caicó tem essa característica: é tranquilo, seguro. Só temos algumas notícias quanto a acidentes de carros nas estradas. Mas em relação às ruas, à Ilha e ao Clube, não temos nenhuma queixa prestada na Polícia. O caicoense recebe muito bem a todos os visitantes, que vêm para brincar, se confraternizar e para fazer esse grande carnaval aqui em nosso município. JORNAL O PÚBLICO: O carnaval também é um grande gerador de renda. Já há algum balanço dos benefícios trazidos direta ou indiretamente? ROBERTO GERMANO: Somente para a Ilha foram cadastrados 100 pequenos vendedores ambulantes. Esses ambulantes que no ano passado precisavam pagar R$ 200 para entrar na Ilha, agora foram isentos. Porque entendemos que era uma oportunidade que eles tinham de ganhar uma renda extra e ajudar na aquisição de um fardamento escolar, de livros e na alimentação de suas famílias, pagar as contas de água, energia, aluguel. Todos esses pequenos ambulantes foram isentos de taxas porque entendemos que não seria isso que daria condições da Prefeitura realizar o carnaval. Todos ganham com o carnaval de Caicó e esse foi mais um dos motivos levados ao Ministério Público para a realização desse evento. Precisamos ver o carnaval de Caicó como um empreendimento. Durante o carnaval temos grande movimentação nos supermercados, restaurantes... Um empresário do ramo dos supermercados me falou que os dias de maiores vendas são a quinta, sexta e sábado pós-carnaval, devido ao desabastecimento provocado pelo período carnavalesco. Muitos ganharam o dinheiro durante a festa e agora podem reforçar sua cesta básica. Conversando com um dono de restaurante, soube que em dois dias de carnaval há mais movimento do que toda a Festa de Sant’Ana. Nos sentimos felizes por estar aquecendo a economia do nosso município. JORNAL O PÚBLICO: E com relação ao número de foliões, há algum dado sobre a quantidade de caicoenses e visitantes de todo o Nordeste nesses seis dias de folia? ROBERTO GERMANO: O Corpo de Bombeiros estima que havia em torno de 80 mil pessoas por dia nas ruas. Existe uma rotatividade: há pessoas que vem um dia e não vem outro, pessoas do Seridó que passam alguns dias aqui e outros em suas cidades. Temos notícias de pessoas que vem de Maceió, Recife, João Pessoa, Campina Grande, Fortaleza, da Bahia. Fala-se: Salvador não tem o maior carnaval? Sim, mas as pessoas saem de Salvador e vêm para o carnaval de Caicó. Por isso falo que o carnaval de Caicó hoje é uma realidade. Temos que aprimorar, profissionalizar esse carnaval. Não podemos mais tratá-lo com amadorismo. Daí a necessidade de se formar uma comissão para discutir o carnaval o ano inteiro, porque independente de chuva ou não ele tem que ser realizado. A seca é um fenômeno natural e ninguém vai acabar com ela. Temos, portanto, que aprender a conviver com esse fenômeno. Com ou sem seca precisamos fazer o Carnaval, a Festa de Sant’Ana, retomar o Festival da Carne de Sol e do Queijo, que também é outra fonte de turismo e recursos para o nosso município. Turismo gera riquezas, emprego, movimenta a economia, então precisamos fazer os grandes eventos do município. O carnaval é um megaevento que precisa ser feito com muita responsabilidade e profissionalismo, para que possamos atrair cada vez mais turistas para a cidade de Caicó. E para que o turista que veio esse ano traga mais alguém no próximo. Que nós que estamos aqui em Caicó convidemos outras pessoas. O carnaval de Caicó tem algo interessante: quando você vem a primeira vez não quer mais deixar de vir. JORNAL O PÚBLICO: Após esse pequeno período à frente da administração municipal, como o senhor descreve a situação da Prefeitura, financeira e administrativamente? ROBERTO GERMANO: Tínhamos a perspectiva de encontrar um município equilibrado, até porque se propagava muito que o gestor anterior era muito austero e que tinha zelo com o dinheiro público, mas o que vimos ao chegar à Prefeitura, infelizmente, foi que as coisas não estavam organizadas. Mas aos poucos vamos organizando, colocando cada coisa em seu lugar. Digo muito que não adianta estar se lamentando, olhando pelo retrovisor, e só reclamar que encontramos a Prefeitura desse ou daquele jeito, e que as coisas não estão acontecendo por conta disso. Acredito que temos que olhar para frente, para o futuro, e equilibrar as contas da Prefeitura. Lógico que as responsabilidades do gestor anterior, naquilo que for preciso, serão cobradas. Mostraremos à Câmara de vereadores na nossa mensagem dia 18 (fevereiro) como encontramos, pois acho que lá é o fórum apropriado. O que não posso é estar todos os dias na imprensa falando que encontrei isso hoje, aquilo amanhã. As pessoas não querem mais esse radicalismo ou “caça às bruxas”. Quando divulgarmos nossa mensagem à Câmara, a imprensa terá conhecimento e dará o destaque que achar necessário. A situação do município não é das melhores, mas com nossa experiência administrativa e com a equipe que montamos, com nomes certos nos lugares certos, conseguiremos mudar. Essa equipe já está mostrando serviço. Um exemplo foi agora: com trinta dias já estávamos para fazer um carnaval grandioso como esse. Não é fácil. Pegamos uma Prefeitura sucateada em termos de equipamentos. Ainda não está do jeito que queremos, mas já conseguimos dar uma limpeza melhor à cidade... O secretário de infraestrutura tem se desdobrado ao máximo. É um jovem que nós apostamos, Almir Filho, que tem dado uma grande contribuição e que tem trabalhado feito um trator. Trabalha 24 horas por dia se for preciso. Os outros secretários também: na área da saúde estamos conseguindo arrumar, dia 19 começaremos as aulas com a merenda já licitada, enfim, aos poucos vamos dando a cara e o ritmo da nova administração. JORNAL O PÚBLICO: O senhor já conta com parcerias estaduais e federais ou ainda vai buscá-las? ROBERTO GERMANO: Mesmo antes de assumir, estivemos em Brasília e conseguimos com o deputado João Maia, o ministro Garibaldi, o deputado Henrique Alves, algumas obras de calçamento, duas quadras descobertas, um ginásio de esportes. O deputado Felipe Maia colocou uma emenda para uma ciclovia. Então já temos alguma coisa para começar a trabalhar. Temos ainda um convênio com o Governo do Estado para pavimentações que já vem da gestão passada. A governadora tem mostrado que quer ser parceira do município de Caicó. Acho importantes essas parcerias, pois ninguém faz mais nada só. É preciso uma integração entre Município, Estado e União, para que, em conjunto, possamos pensar Caicó e inclusive o Seridó. E que o povo possa ser beneficiado. Tanto faz ser governo municipal, estadual ou federal, temos um único objetivo: fazer com que o povo seja beneficiado com as ações desses governos, que a população se sinta segura, que tem um gestor que se preocupa com ela e que essa resposta venha em forma de benefícios em transporte, coleta de lixo, limpeza pública, educação, saúde, agricultura, principalmente nesse momento que enfrentamos essa questão da seca. As parcerias são importantes para que haja desenvolvimento pensando sempre no bem-estar da nossa população. JORNAL O PÚBLICO: Desejamos boa sorte e que conte sempre com a parceria do JORNAL O PÚBLICO. ROBERTO GERMANO: Eu é que agradeço a vocês do JORNAL O PÚBLICO e a toda imprensa, não só aqui de Caicó e do Seridó, mas de todo o estado do Rio Grande do Norte, que desde o primeiro momento tem apoiado esse novo modelo do carnaval de Caicó, tem divulgado, mostrado que é um carnaval seguro, em que as pessoas se sentem bem. Acredito nessa contribuição de vocês. Parabenizo pelo trabalho que vocês têm desenvolvido e agradeço o apoio nesse momento de dificuldade. A imprensa passou a informação para a população e esta entendeu a mensagem. Entendeu que tínhamos que mudar o carnaval de Caicó. Acho que Deus escreve certo por linhas tortas, porque talvez se não fosse um momento como esse de seca, tivéssemos pensado o carnaval da mesma forma que era. Se a prefeitura tivesse equilibrada, com recursos, talvez não tivéssemos arriscado. Mas eu acho que Deus mostrou o caminho. Não adianta mais fazer daquela forma. O modelo é esse para que façamos um carnaval mais barato, mais seguro, e bem maior do que foi, por exemplo, o do ano passado. JORNAL O PÚBLICO: Um verdadeiro carnaval de rua, do povo? ROBERTO GERMANO: O carnaval de Caicó é um patrimônio da cidade, do Seridó e do Brasil. Hoje vêm pessoas de todos os cantos para o carnaval caicoense. O carnaval não é mais só de Caicó. Esse carnaval é do Brasil e por isso falo que o carnaval de Caicó é um patrimônio do povo brasileiro. JORNAL O PÚBLICO: Já é possível colocar no calendário nacional de turismo? ROBERTO GERMANO: Vamos tentar. Já estive no Ministério do Turismo, conversei com o secretário executivo e ele disse que nunca veio dinheiro para o carnaval de Caicó porque nunca o Ministério foi provocado, ninguém nunca foi lá. Tem dinheiro para isso, mas ninguém foi lá, nunca se apresentou um projeto. Tenho certeza que nós ao apresentarmos um projeto, levando as filmagens, as fotografias, mostrando a grandiosidade desse carnaval, não teremos dificuldades de conseguir recursos para esse carnaval.





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